Teoria dos Fractais Biográficos

O termo fractal designa estrutura geométrica complexa cujas propriedades em geral repetem-se em qualquer escala. O conceito de fractal está relacionado com a auto-semelhança, cada pequeno fractal é a cópia reduzida do grande fractal, essas subdivisões, repartições permitem explorar as visões polissêmicas do indivíduo. Auto-semelhança é um padrão dentro do outro e que aumenta o grau de complexidade das histórias e das personagens. 

A Teoria dos Fractais Biográficos ou Biografia sem-fim, desenvolvida por Felipe Pena, questiona o modelo do jornalismo mecânico, baseado em um formato que conduz tudo com início, meio e fim. Um jornalismo que apenas busca adequar a informação ao que o leitor já se acostumou a ver e ler e usa um modelo tradicional de jornalismo.

Para Pena, os jornalistas tentam ordenar os fatos de uma vida diacronicamente, criam uma ilusão de que estes fatos juntos formem uma narrativa estável e autônoma. Nesse sentido, o repórter seria cúmplice dessa ilusão. Como não se podem contar histórias exatamente da maneira como aconteceram ou são, limita-se a torná-las interessante. Os consumidores precisam de realizações, querem que os desejos sejam realizados. Por isso, associa-se a vida a um caminho ou estrada facilita a compreensão, a narração e a venda. E o que vende são reconstruções históricas de pessoas e fatos, memórias, identidades, modelos e perfis. 

Nesse contexto, faz-se necessário redirecionar as análises biográfico-históricas sobre o discurso biográfico e a possibilidade de aplicação (empírica) dessa teoria na própria produção de biografias por jornalistas e historiadores.

O desafio seria construir um jornalismo sem a limitação e os vícios do modelo seguido pelo jornalismo e pelas biografias padronizadas. Sendo assim, uma biografia, ou nota jornalística, não mais seria escrita tendo que seguir um modelo em formato fechado, com começo, meio e fim, e sim narrar uma realidade que não tenha como preocupação apresentar uma história completa, apenas narrar uma etapa presenciada.

Dessa maneira nasce esse conceito diferenciado de informação jornalística, o da informação não linear. Esse formato utilizado facilita a venda, a narração e até a compreensão, mas não é fiel em mostrar as transformações existentes com fidelidade. Surgem assim pequenas histórias dentro de outras. Gerando assim um modelo biográfico sem fim.

"A ideia é organizar uma biografia em capítulos nominais (fractais) que reflitam as múltiplas identidades do personagem. No interior de cada capítulo, o biógrafo relaciona pequenas histórias/ fractais fora da ordem diacrônica. Sem início, meio e fim. Cada fractal traz nas notas de rodapé a referência de sua fonte, mas não há nenhum cruzamento de dados para uma suposta verificação de veracidade, pois isso inviabilizaria o próprio compromisso epistemológico da metodologia. Quando a mesma história é contada de maneira diferente por duas fontes, a opção é registrar as duas versões, destacando a autoria de cada uma delas." Pena