Teoria Crítica

A Teoria Crítica (pars desruens) buscava considerar as falhas e insuficiências do mundo como necessariamente vinculadas à estrutura inteira da construção social. Possuía uma crítica imanente do modo socialmente necessário de produção de formas de razão. de percepção e de sensibilidade no capitalismo tardio e na sua forma social, que é a "Sociedade Administrada" (Adorno). Representou uma contracorrente da Communication Research, fazendo um contraponto ao funcionalismo americano, no qual havia a crença absoluta em uma base de dados empíricos e na administração como explicação dos fenômenos sociais.

A assimilação do marxismo por parte da Teoria Crítica da Sociedade passa por duas ordens de preocupação. Uma, de caráter teórico, que pode ser identificada numa versão do marxismo [...] e consciência de classe; outra, de caráter empírico, relativa à caracterização da nova fase do capitalismo e da correspondente forma de sociedade. Ambas convergem para formar uma concepção da sociedade contemporânea na qual a ênfase na análise das formas retificadas de consciência presente em Lukács reaparece, modificada pelas questões suscitadas na décadas de 1920, que se aprofundariam no período seguinte, relativas à escassa resistência ao fascismo por parte de importantes segmentos da classe trabalhadora"Cohen

A Teoria Crítica procurava nas formas da aparência que ela idealiza, os traços da constituição interna e do modo de funcionamento da sociedade. A crítica imanente da ideologia como aparência necessária revela-se imprescindível para a crítica do próprio objeto, ou seja, para expor suas tendências e seus limites intrínsecos. Ela é uma teoria da sociedade que implica uma avaliação crítica da própria criação científica.

Teoria Crítica x Pesquisa Administrativa

A Teoria Crítica trata da contradição entre indivíduo e sociedade. Nela, os métodos de pesquisa empírica provocam a fragmentação do todo social. Os meios de comunicação tratam-se de instrumentos de reprodução de massa, que, na liberdade aparente dos indivíduos, reproduzem as relações de força do sistema econômico e social.

Já a Pesquisa Administrativa (ou Teoria Administrativa) vê os meios de comunicação como instrumentos para alcançar algum objetivo, como vender mercadorias, elevar o nível intelectual da população ou melhorar sua compreensão das políticas governamentais. Se por um lado a Teoria Administrativa apenas estuda os meios materiais da comunicação, a teoria crítica busca averiguar o material inacessível aos mídia.

Críticas à Teoria Crítica

John Thompson assinala 3 fragilidades referentes à Teoria Crítica:

  1. As características atribuídas à industria cultural - padronização, repetição, pseudopersonalização. Não houve investimento para conhecer minunciosamente a organização e as práticas cotidianas dessa indústria, ou os ramos diferentes que a compõem.
  2. A natureza e o papel dado á ideologia nas sociedades modernas - não é óbvio que os indivíduos, ao consumirem tais produtos, aderem, de maneira acrítica, á ordem social. ele não acredita que, consumindo tais produtos estrandardizados, o público passe a agir de forma imitativa, reproduzindo o status quo.
  3. A visão totalizante e frequente pessimista das sociedades modernas e a atrofia dos indivíduos no seu interior - as sociedades não são harmoniosamente integradas e os indivíduos, controlados. Mesmo que as sociedades modernas tendam a funcionar em forma de sistema interligadas, elas estão também em mutação constante, com setores desorganizados e focos de resistência.