Imprensa Marrom

Forma como são chamados órgãos de imprensa considerados sensacionalistas, buscando a audiência e vendagem através da divulgação exagerada de fatos e acontecimentos e a transgressão da ética jornalística. É o equivalente português do termo yellow journalism.

Há diferentes versões para a mudança de cor na tradução da expressão para o português. Segundo Alberto Dines, o conceito foi utilizado pela primeira vez no Diário da Noite, em 1960. Ao noticiar o suicídio de um cineasta, ele escreveu que a tragédia era resultado da atuação irresponsável da "imprensa amarela". O suicida havia sido vítima de chantagem por parte da revista Escândalo. O chefe de reportagem Calazans Fernandes, então, mudou para "imprensa marrom", alegando que o amarelo é uma cor alegre, enquanto o marrom seria mais apropriado por ser a cor dos excrementos.

No entanto, Márcia Franz Amaral sustenta que a expressão é tradução de imprimeur marron, que é como se chamavam na França os jornais impressos em gráficas clandestinas.

Uma terceira interpretação é de que no Brasil a cor marrom seria identificada com clandestinidade e a ilegalidade desde o século XVII, por associação aos escravos fugidos ou em situação ilegal no país.

Embora "imprensa marrom" seja normalmente considerada o equivalente da "yellow press" norte-americana, Leandro Marshall propõe uma diferenciação. Para ele, a imprensa amarela seria uma fase anterior, marcada pelo sensacionalismo, com fatos sendo exagerados nas páginas de jornais apenas com o objetivo comercial de atrair mais leitores. Já a imprensa marrom seria mais caracteristicamente definida como a manipulação da notícia com fins comerciais.

Outros autores, porém, argumentam que o escândalo, a intriga política e a chantagem já faziam parte dos métodos utilizados pelos primeiros jornais sensacionalistas.

Norbert Bolz aponta como principal característica desse tipo de jornalismo a comunicação direta, que abre mão de qualquer abordagem mais complexa sobre o mundo